Marselha: quatro dias na cidade azul

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Vieux Port, Marseille.

Uma cidade de cabeça para baixo. Como se o teto espelhado do Ombrière estivesse ali para reforçar a sua fama. Encantadora, apesar da reputação com gangues e criminalidade, dizem quase todos os artigos sobre a segunda maior cidade da França. Foi só os degraus do metrô me entregarem ao Vieux Port, não custei a me convencer que havia muito mais a descobrir do que se preocupar.

Barcos chegando e partindo, moleques se jogando no mar gelado de maio, jovens fardados em urban outfitters atropelando pessoas, cheiro misto de castanha caramelizada e maresia. Tudo parecia acelerado no velho porto. O peixe nem mordeu o anzol e já estava à venda.

Famílias de pescadores anunciavam as ofertas do dia no tímido mercado de peixes junto ao cais. Enquanto Alice se empenhava em escolher amuletos no taboleiro de uma senhora que vendia sorte, eu observava a maestria com que uma criança falava das espécies de peixes para os clientes. Como um expert no assunto. Um pequeno homem do mar.

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Mercado de Peixes no Cais do Velho Porto.

Alguns minutos de caminhada nos levaram ao Mucem e ao Fort de St Juan, onde foram gravadas algumas cenas do Conde de Monte Cristo. Dali é um pulo para a Catedral de La Major. Com a vantagem da maioria das “atrações” no porto, sobra tempo para a melhor parte de qualquer viagem: explorar. Ver as vitrines coloridas com o Sabão de Marseille, passear pelas feirinhas de produtos artesanais e caminhar pelas ruas cheias de grafites e intervenções.

Quatro dias foram suficientes e pouco ao mesmo tempo. Como um prato de mexilhão com fritas. Dá vontade de repetir. Há muito para se fazer. A Basílica de Notre-dame, que oferece uma boa vista da cidade; o Museu de Belas Artes com um parquinho bem agradável; as minúsculas praias urbanas escondidas entre um edifício e outro.  Mas dizem que o ponto alto da visita a cidade é o Parque Nacional dos Calanques. Eu não me atrevo a discordar.

 

Caminhamos quarenta minutos. Alice levou muito à sério as recomendações de ter água para tomar no caminho. Carregávamos três litros. A vantagem de rotas paralelos até os calanques nos fez aproveitar um pouco mais da natureza e se afastar da movimentação de turistas. A caminhada compensa quando, de repente, no meio de todo o verde surge uma imensidão de azul.

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A vista dos calanques é de perder o fôlego – o que não é muito difícil depois da caminhada. Optamos por não ir à praia mais conhecida por motivos óbvios. Era a mais movimentada. Escolha que não nos livrou de três crianças tagarelas que passaram a tarde a fazer desfile de moda com peças feitas de cangas e toalhas.

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Deixei o Sul da França com a sensação de que fiz uma boa escolha. Por ter visitado o litoral, por ter passado por cidades medievais, por ter feito um trabalho voluntário na região dos Alpes e por acompanhar de perto um pouquinho da vida tranquila no meio das montanhas. Por muitos motivos a França será sempre lembrada como um país especial. Mas essas são outras histórias.

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1 comentário Adicione o seu

  1. Phelipe S. disse:

    Que coisa linda, da vontade de viajar pra lá agora mesmo, parabéns pela forma como escreve.

    Curtido por 1 pessoa

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